"Onda"



 

Agora que as temperaturas convidam a passeios e a idas à praia, parece-me muito apropriado o livro que hoje vos apresento...

“Onda” chega-nos através de uma simplicidade extrema, onde as imagens puxam pelas palavras e o "texto" vai surgindo espontaneamente.
Trabalhadas em páginas de fundo branco, as imagens surgem-nos em apenas duas cores: o azul pincelado do mar e o carvão que delineia as poucas restantes figuras. 

O livro, todo ele um jogo de sedução, é um ir e vir, uma conquista, uma brincadeira, uma poesia gráfica, onde nos é retratado o encontro entre uma menina e as ondas do mar. 



No início da “Onda”, a chegada à praia é feita a correr, deixando logo a mãe para trás. Um grupo de sisudas gaivotas, permanece observador. Numa série de movimentos, de expressões corporais e faciais, de desafios e conquistas, somos absorvidos por uma apetecível dança entre a menina e as ondas. 

Consoante o vamos descobrindo e folheando, deparamo-nos com ondas que rebentam e salpicam, com gaivotas que, perderam o siso e entram nesta dança e com a pequena menina que interage com as ondas do mar. Ondas que vão, ondas que vêm, ondas que rebentam, menina que chapinha, que salta, que chuta, que espera, que foge, que provoca, que cai molhada, que descobre. No final, depois de descobertos os tesouros que a última onda trouxe, a menina despede-se do mar e acompanha a mãe pela praia deserta. Esta intensa interacção da menina com o mar, detêm em si uma força e uma vontade de descoberta - ou redescoberta - que nos impele a voltar ao início do livro.



A autora não deixa um único pormenor de lado. O título, na capa do livro, manuscrito por ela e, o que num primeiro olhar poderá parecer falha gráfica, a acentuada divisão das páginas, são recursos narrativos usados pela autora. 


Atrevam-se a descobrir este maravilhoso livro!



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