"Na noite escura"


Em 1956“Na Noite Escura” começou por ser uma experiência sensorial, por meio de diferentes papéis combinados com imagens simples, contudo, acabou por se tornar num livro infantil que marca a história da ilustração. 

Segundo a opinião de alguns críticos, este livro é fundamental para crianças inventivas, que poderão interagir com folhas recortadas, texturas, cores e materiais diversos. Mas, segundo o seu autor, Bruno Munari, também educadores, designers e ilustradores têm muito a aprender com ele. Este livro é uma verdadeira obra-prima saída das mãos de um dos mais influentes designers do século XX.


Logo num primeiro olhar, este livros difere dos outros pela diversidade de papeis que são explorados. 
A narrativa divide-se em três partes – a noite escura, o prado e a gruta – que se distinguem pelos recursos plásticos e os pormenores gráficos usados. Inversamente, através do parco texto tece-se uma associação de ideias e descobertas.


O livro convida-nos a entrar numa noite escura (com páginas negras) onde um gato azul - a personagem principal desta história - nos conduz, por entre outras personagens e, juntos, procuramos descobrir de onde vem uma pequena luz amarela que brilha longe e que se destaca através de um recorte circular nas páginas. 


Essa luz amarela desvenda-se no papel vegetal que se segue e inaugura, assim, a segunda parte. “É o pirilampo que vai dormir no prado porque começa a amanhecer”
Folhas de papel translúcido sugerem-nos uma neblina matinal e marcam a passagem do tempo. O tempo passa, portanto. Percorremos o verdejante prado, com os seus arbustos e insectos, entre o que se vê claramente em primeiro plano e os contornos e manchas que se vislumbram por trás.


Então, uma pequena formiga convida-nos a entrar na gruta. Esta, é-nos apresentada em páginas em papel pardo. Mais rugoso e cinzento como a pedra, tem recortes irregulares nas páginas, conferindo profundidade ao espaço. Desenhos da pré-história e um rio subterrâneo - novamente dado por folhas translúcidas - guiam a formiga que nos leva de volta ao exterior. É novamente de noite. Desta vez, temos diversos pequenos recortes circulares. São as luzes dos pirilampos. E o gato azul, que nos espera.


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