"O livro negro das cores"


Antes de mais devo começar por dizer que este é um livro delicioso! 
É um daqueles livros excelente para as crianças perceberem, desde muito cedo, que nem todos são iguais! 
É uma aventura a preto, no mundo das cores! 

O Livro Negro das Cores foi escrito por Menena Cottin e ilustrado por Rosana Faria, ambas venezuelanas, foi traduzido por Miguel Gouveia, para a Editora portuguesa Bruaá. A sua leitura lança-nos num mundo que não nos é real, e que não entendemos na sua plenitude.
Como não somos (e não desejarmos ser) os seus leitores ideais, ler este livro é lê-lo com um certo receio e desconhecimento, o que nos leva a uma tentativa de compreensão de um mundo de imagens e cores mentais e, somente, imaginadas.

Os artistas que trabalham o desenho (desde os que se expressam através do desenho quotidiano em diários gráficos até aos que constituem séries, como Robert Longo), expressam a entrega dos cinco sentidos em toda a sua criação. 
Quando nos confrontarmos com este livro, pensado para cegos, cujas próprias ilustrações são também para cegos, a nossa atitude, como leitores, é alterada. Os sentidos que por vezes desprezamos, são a ferramenta essencial para o tentarmos compreender. O tacto prevalece perante a visão. 
a página referente à chuva...

Esta dimensão do toque a que o livro nos obriga, traz-nos uma complexa rede de sensações e percepções que nos baralham a relação entre intimidade e distância do acto de leitura e de fruição de uma ilustração. 
Ao folhearmos o livro não podemos ter a presunção de que o lemos como os cegos, pois não termos a sensibilidade e aprendizagem suficientes para diferenciar, interpretar e ler as inscrições em volume (quer a escrita quer as imagens, mesmo que saibamos ler Braille), por não podermos compreender o jogo que o livro promete, implica, e cumpre. Temos sempre o atalho mais fácil: vemos.
O Livro Negro das Cores é, sem dúvida, um livro de excelência, que cumpre uma função poética e pedagógica. Como leitores, acompanhamos um protagonista ausente que, imaginamos, como um jovem cego que descreve a sua percepção multi-sensorial das cores. Ao longo das páginas, despertam sentidos como o olfacto, o toque e o sabor, que nos dão acesso às cores que conhecemos do espectro humano.
a ilustração de folhas...

As imagens acompanham a mensagem que o texto transmite, elaborando complexas texturas que nos transmitem sensações anexas às respectivas cores. 
A impressão a dois negros, ou melhor, a um tratamento diferenciado entre as linhas que compõem o relevo, levam-nos (a nós, leitores que vêem), a balançar o livro para ver o brilho e o contraste. Os leitores cegos, limitam-se a passear os dedos pelas folhas e a interpretar o seu conteudo. Todavia, parece-me que este livro, se trata mais rapidamente de um livro de sensibilização para a questão da ilustração infantil para crianças invisuais, do que um livro verdadeiramente construído para os cegos. O Livro Negro das Cores abre-nos a perspectiva, à compreensão da situação dos cegos, mas nunca, nos dará essa mesma e real experiência.
Finalmente, O Livro Negro das Cores é um livro deliciosamente pedagógico que serve para ampliar os nossos horizontes de experiência e a nossa compreensão, quer do mundo quer d[a questão d]o Outro. 
Haverá melhor e maior finalidade de um livro do que esta?

4 comentários:

  1. Acho que é agora aue me torno socia de uma livraria... Estou mm a ver q vou passar a comprar ainda mais livros... Lol! Adorei edorei este post ! Continua pf !!!

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  2. Gostei muita da descrição deste livro. Conheci-o numa acção de formação e já estive com ele na mão mais que uma vez, mas acabei por comprar outros.
    Quero ver se o compro o mais rápido possível.
    Obrigada pela partilha :)

    Um beijinho

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  3. Adorável! Muito inteligente e necessário.
    Gostei muito da sua descrição.Obrigada por partilhar :)

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  4. Anónimo1/31/2013

    Interessantissimo!!! Interessantissimo o livro! Interessantissima a descricao do livro! Adorei :o) Quando o vir vou traze-lo p apresentar aos meus filhos ess(a questao do) Outro diferente.
    Margarida

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